Quando a guitarra entrou na vida?

Comecei a tocar com 12 anos num violão tonante do meu avô, logo depois passei para a guitarra, que foi o meu objetivo desde o começo. Tive vontade de tocar depois que ouvi a música “seek and destroy” do Metallica. Quem ouve a minha música hoje não acredita, mas inicialmente eu tocava covers do Metallica e Dream theater e tirava os solos do Malmsteen e Steve Vai. Mas logo de início eu já comecei a curtir coisas mais sofisticadas como o jazz, fusion e a música brasileira, e tentava aplicar um pouco de tudo no meu som.

Qual o segredo para se tornar um mestre na arte do improviso?

Acho que antes de mais nada você precisa ser um ouvinte e incorporar a linguagem dos grandes mestres do improviso como Miles Davis, Hermeto Pascoal, Hélio Delmiro, John Coltrane, Bill Evans, Jeff Beck e muitos outros. Ouvindo esses caras você vai perceber que o improviso é literalmente uma composição instantânea e em coletividade. O maior erro que um improvisador pode cometer é solar sem ouvir a banda, sem ter interação, como se estivesse tocando sobre um playalong, ademais, pode e deve se estudar as ferramentas para adquirir uma boa fundação na hora do improviso.

Com tanta técnica e teoria, como você divide seu pensamento na hora de tocar, deixa fluir ou segue alguma linha de pensamento?

Bem, eu estudo sempre de forma musical, porque tocamos o que treinamos. Tento fazer do meu treino algo que vai me aproximar de uma experiência real e não fico me ligando em escalas, arpejos e etc, esse material já esta incorporado e nesse momento eu tento ouvir a banda e captar idéias que surgem da movimentação dos outros instrumentos. Sinceramente, nesse momento eu tento não pensar em nada e me coloco dentro da música e a serviço dela.

Como foi a experiência de estudar fora?

Estudar na Berklee foi incrível, foram quatro anos muito intensos onde entrei profundamente no ambiente musical da improvisação livre do jazz e do fusion. Tive, também, a oportunidade de tocar e estudar com grandes mestres como Mick Goodrick, que foi professor do Mike Stern, Pat Metheny, Bill Frisell e John Scofield, e com o Goodrick eu fiquei por quase 2 anos. Estudei também com o Hal Crook, Brett Wilmott, John Damian e muitas outras feras. Além da oportunidade de estudar o dia todo eu tive a oportunidade de tocar e gravar com pessoas de altíssimo calibre, e isso me refinou como músico e me fez rever áreas que eu achava que já estava maduro, enfim, ralei muito para chegar junto num ambiente extremamente profissional e competitivo que é a América, foram 4 anos extremamente produtivos.

Qual a mensagem que você quer passar aos seus ouvintes do CD “Kairos”?

Meu cd é inspirado nas coisas que vivo, e como creio muito em Deus e na Bíblia, muito dos temas do meu cd levam nomes de acontecimentos Bíblicos, tal como a primeira faixa “Exodus”. A sonoridade do meu cd é contemporânea e é algo não muito difundido no Brasil, e por isso muitas pessoas se assustam com a Concepção ácida do cd, e esse foi um dos motivos de lançar o cd primeiramente no exterior para depois lançar no Brasil. Enfim, quem ouve o cd Kairos vai ouvir um cd onde os solos são 100% improvisados, pois gravamos o cd ao vivo e não tinhamos nem sequer o tom dos solos combinados, foi tudo criado no momento, sentindo o clima e para onde a música nos levava. Creio que o ouvinte do cd vai perceber essa vibe experimental ao ouvi-lo.

Qual set up que você utiliza atualemente?

Tenho usado um Pod x3, um pedal BB pre amp e o BB pre amp plus, ambos da exotic, ligado direto num twin reverb da fender e minha guitarra é uma fender telecaster corona.

Dê um conselho para aqueles que estão começando.

Aproveite o tempo de anonimato para estudar o máximo que você pode, não fique na fissura de mostrar serviço e de aparecer, isso será fruto do resultado de sua delicação e não o resultado da sua auto-promoção. Tenha foco e paciência e não estude mil coisas ao mesmo tempo, pelo contrário, pegue pequenos tópicos e os estude por muito tempo, e então essas pequenas ideas se tornarão suas. Ademais, tenha humildade pois tudo o que temos vem de Deus. Fiquem firmes, grande abraço e fiquem na paz..



A review by Erin Thomas

Kairos, the debut full length from Berklee grad Mateus Starling, is a compelling and innovative artistic achievement for the young guitarist and his band of remarkable musicians. Starling is joined for the first 6 tracks of the album by Chris Cabrera on bass, drummer Pablo Eluchans, and tenor sax player Jesse Scheinin, and finishes off the last two songs backed by bassist Caio Slonzon and drummer Edu Nali. Although the guitarist/composer is the star throughout the album, his band deserves a large amount of credit for adding depth and solidarity to Starling’s ideas. All the material on Kairos was recorded as a live ensemble, for reasons which Starling himself explains best. “My expectation was to capture the interaction of the band on the solos and to have that kind of energy that we hear on most of the old jazz projects,” he says. As a result, Kairos is full of energy and life, and documents a band that knows how to listen to and answer each other while remaining locked into tight grooves.

The album’s first track, “Exodus,” kicks off with a strong bass line and impressively performed tenor sax solo and melody, and moves into an eerie guitar solo that feels more at home in the genre of experimental rock rather than straight ahead jazz. It’s followed by “Good Moments,” which features Hendrix-style effects put to good use on powerful jazz-rock riffs and an edgy melody. “Jerico,” one of the jazzier tracks, starts off with some quick drum rolls and dives into a racing melody. The song slows into a solo section, including a bass solo by Cabrera that builds up to the final chorus. The album keeps up the quick pulse with “Brazilian Funk,” a tune that delivers exactly what its title promises. The mood changes directions a few tracks later with the beautiful “Pai,” a jazz ballad that begins and ends with a lullaby-like guitar line, supported by smooth tenor sax throughout the piece. The final two cuts, although more stripped-down, highlight Starling’s exquisite tone and note choice. The album’s closer, “Ark,” really stands out as a haunting, slow tempo dirge, and finishes what can only be described as a musical journey with gentle ease.

Starling’s strengths (and there are many) seem to lie within his ability to write jazz melodies that incorporate his love of the rock guitarists that influenced his playing at a young age, as well as the Brazilian music he was surrounded with growing up in Rio de Janeiro. Just as noteworthy as the melodies, however, are Starling’s solos, played to perfection in each turn he takes. Kairos should and undoubtedly will succeed in establishing Mateus Starling as a young and important force in the world of free jazz and Brazilian rock..



Para muitos músicos, estudar fora do Brasil significa mais do que frequentar escolas e instituições respeitadas mundialmente. É o sonho de uma vida. Assim foi para o guitarrista do Rio de Janeiro Mateus Starling, que, após três anos de intensa dedicação musical em Boston, nos EUA, acaba de se formar em Performance pela Berklee College of Music, conquistando a Summa Cum Laude, honra máxima concedida pela instituição. Em um papo sem muitas “firulas” musicais, Mateus, que retorna ao Brasil em janeiro, conta como foi sua experiência, destacando os benefícios e as dificuldades de morar em outro país, com dicas importantes para quem deseja ingressar na tradicional escola americana. Além disso, o músico adianta, em primeira mão, o lançamento de Kairos, seu primeiro trabalho solo de jazz-rock-fusion, com detalhes sobre as gravações e equipamentos.


Como foi sua preparação para ingressar na Berklee?
Mateus: Eu já tocava profissionalmente, dando aulas, fazendo shows e gravações. Não tive muito tempo para me preparar, embora sempre estivesse estudando harmonia, percepção, improvisação e leitura por conta própria, mas com aulas de reforço do Hélio Delmiro. Só fui realmente aprender a ler partitura um ano antes de ingressar na Berklee, em 2005. Até então, tocava somente de ouvido. A leitura é um forte requisito para quem quer tirar o maior proveito da faculdade, além do que, possibilita exercer a música profissionalmente nos EUA.

Já que você falou em trabalho, como foi possível estudar e se manter ao mesmo tempo?
Mateus: Bem, é possível ganhar até mesmo uma bolsa integral, que além de financiar os estudos, pode pagar também a sua moradia, provendo casa e comida. Durante todo o tempo em que estive na Berklee dei aulas de música, toquei e gravei com bastante frequencia. A faculdade também tem convênios com marcas de instrumentos e outras instituições que visam premiar os estudantes que se destacam, com ajuda financeira muitas vezes polpuda. No meu caso, além da bolsa de estudos, eu recebia um cheque da faculdade no valor de US$ 3mil a cada semestre para usar como desejasse.

Quais as principais dificuldades que você enfrentou?
Mateus: A maior dificuldade foi lidar com o inverno de Boston, que é impraticável. Muitas vezes a própria faculdade entra em recesso devido a tempestades de neve, o que nos obriga a ficar trancado em casa por dias. Além disso, o povo americano é mais fechado do que o brasileiro, dificultando um pouco a criação de relacionamentos mais profundos. Mas como fui com a minha esposa, optamos por não ter uma vida social tão ativa.

Vale a pena estudar música fora do Brasil?
Mateus: Bem, posso contar a minha experiência, pois acho que cada pessoa tem que analisar o que é melhor para si. Se não tivesse conseguido uma bolsa de estudos, talvez não concluísse o curso, porém, ter vindo para cá foi uma experiência inigualável por vários motivos, que vão desde os professores e a infra-estrutura da faculdade, até o ambiente proporcionado pelos estudantes, de várias nacionalidades. Tive a oportunidade de tocar com músicos que antes eu só ouvia no CD, e com outros alunos que, neste momento, estão despontando na cena musical internacional. Somando-se a isso, tem a estrutura tecnológica da própria faculdade, que oferece aos alunos cursos gratuitos e o acesso a estúdios de gravação.

Como é possível conseguir uma bolsa de estudos?
Mateus: Você pode mandar um vídeo para a Berklee com a execução de uma música, incluindo alguns exercícios técnicos específicos. No Brasil, é possível fazer audição no conservatório Souza Lima, em São Paulo. Dentre os documentos exigidos, estão o visto F1 (estudante), concedido automaticamente pelo consulado após aprovação na faculdade, carta de recomendação, além do preenchimento de uma papelada específica da escola.
Nota do blog: o Souza Lima oferece um curso que cobre as matérias do currículo básico da Berklee College of Music. Os alunos estudam dois anos na Faculdade Internacional Souza Lima & Berklee, em São Paulo, e terminam os dois últimos anos na Berklee, em Boston, recebendo o diploma da faculdade americana (degree).

Qual é a duração do curso e os valores do investimento?
Mateus: Qualquer curso na Berklee tem a duração mínima de oito semestres. As cadeiras disponíveis são: Composition, Contemporary Writing and Production, Film Scoring, Jazz Composition, Music Business/Management, Music Education, Music Production and Engineering, Music Synthesis, Music Therapy, Performance, Professional Music e Songwriting. Sem bolsa de estudos, o semestre custa em torno de US$ 13 mil. É obrigatório seguro saúde, que sai aproximadamente US$ 2mil por ano, sendo que, em certos casos, o governo americano pode financiar. Dependendo da localização, a moradia varia de US$ 500 a US$ 1500 por mês.

KAIROS: JAZZ COM TOQUE ABRASILEIRADO

Fale um pouco sobre o Kairos, seu primeiro trabalho instrumental.
Mateus: O disco está numa vertente do jazz-rock-fusion, com influências também da música brasileira. A proposta é dar ao ouvinte uma impressão de um show ao vivo, já que foi gravado com todos os instrumentistas tocando ao mesmo tempo. Gravamos dois takes de cada música e escolhemos o que mais nos agradava. Este trabalho é recheado de solos e com certeza vai agradar os amantes de improvisação. O quarteto consiste em sax tenor, guitarra, baixo e bateria.

Como foram as sessões de gravação?
Mateus: Para se ter uma idéia do entrosamento da banda, as oito faixas do Kairós foram gravadas em 10 horas. Entre mixagem e masterização somam-se mais 12 horas, pilotadas pelo lendário engenheiro de som Randy Roos, que fez um trabalho impecável de microfonação, além de nos ter fornecido instrumentos vintage, como bateria e amplificadores. Tudo foi registrado com o Logic Pro.

Quais foram os equipamentos utilizados para gravar sua guitarra?
Mateus: Usei uma Fender Telecaster Corona Califórnia com captação original. Para efeito, usei um POD XT, da line 6, um pedal de distorção da Xotic, chamado BB Pre-amp plus. Para registrar o som da minha guitarra, utilizei dois microfones ao mesmo tempo: um colado no amplificador, e outro afastado dois metros.

Como é possível comprar o seu disco?
Mateus: Para quem mora no exterior, o Kairos poderá ser adquirido pelo site Cdbaby. No Brasil, pedidos podem ser feitos pelo e-mail mateus@mateusstarling.com.br.
link para matéria: http://oglobo.globo.com/blogs/overdubbing/post.asp?t=a-saga-de-um-brasileiro-na-berklee-college-of-music&cod_Post=153757&a=553

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“From the first few notes, my ears were greeted by great compositions,
genuinely intuitive group improvisation, and some highly skilled risk
taking by all the band members. Throughout the recording, I couldn’t
escape the feeling that this music might have been made during the
Golden Age of Jazz Rock Fusion.

Even though Mateus is
a recent graduate of The Berklee College [Summa Cum Laude and majored
in performance] the entire bands use of space and dynamics make them
sound like long time pros with a very distinct style all their own. In
fact, the choice to make the Cd with all musicians in the studio at the
same time create some of the best listening and reacting I’ve heard in
a long time.

Mateus himself plays well-chosen notes with tremendous feeling. He
shows no fear of getting out there when he is improvising, and no ego
to limit his ability to demonstrate his delicate touch when the music
calls for it. In fact, everyone in the band completely sacrifices
individual playing for the sake of the music in the moment. I
especially like the fact that Mateus also knows when NOT to play. That
is a truly unique gift in this age of the dominating ‘guitar shredder’
that has sadly become the signature sound of modern fusion.

 

It’s hard to believe that this is the bands first recording and I’m eagerly awaiting more from Mateus and mates.”

Rick Calic – Jazz Rock World.


“I was literally blown away by this guy, amazing compositions and
masterful playing, a true jazz fusion product. He is joined by fine
tenor sax player as they play effortlessly thru a myriad of chord
changes with extreme precision. They are both joined by a well
structured rhythm section that brings it together with beautiful
melodic songs. This band ROCKS!
Have a listen to this band and tell
me if you don’t agree that this fine young up-start is well on his way
to making more music magic in the future.
Click his link below and
check out his myspace where you will find video’s of him playing with
another one of my favorite guitar fusion bands “Bret’s Fret’s.”

Stan Stapleton: jazz-rock-fusion-guitar.


REVIEW AT ULTIMATE-GUITAR MAGAZINE (JAN 2009):

Starlings
may be known to most readers as a bird with a dark but speckled
plumage. They are known to lay blue eggs, and are also gregarious. Now
that I’ve introduced to you some interesting facts about some species
of Starling, I’d like to launch a special platform on UG for readers to
get to know the free jazz fusion efforts of Matt Starling and his band.
A Summa Cum Laude-Graduate of Berklee College of Music, Starling’s
album—Kairos—is a wonderful blend of coffee, prodigious talent and
classic Jazz grooves. Berklee College of Music may be renowned for
producing talents such as Steve Vai (duh) and Alf Clausen (Composer of
The Simpsons’ theme tune). The essential question is whether or not
Starling’s musical cadenza that is less than mainstream can match the
School’s traditions. Talent is on his side. Starling is a starlet that
should not be missed..